CARGO


A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA NÃO É O SUFICIENTE

Pode se dizer que ao assistir ao trailer, e principalmente o curta metragem de 2013 no qual Cargo é baseado, é que eles criam uma atmosfera tensa, atmosfera que em uma indústria saturada de filmes com a temática “apocalipse zumbi” é difícil de encontrar, mas quando os diretores Yolanda Ramke e Ben Howling alongaram essa tensão ela se perdeu em algumas linhas do roteiro, sendo assim mesmo com algumas novidades para o gênero o filme cai no esquecimento facilmente.

No interior da Austrália, Andy (Martin Freeman) se encontrar em meio a uma epidemia e tem como missão proteger a todo custo sua filha Rosie (que aparenta ter entre 7 e 9 meses), entre outros desafios que surgem durante sua jornada. Parece algo simples mas à medida que o enredo vai se desenrolando as coisas se mostram mais complicadas, exatamente onde os problemas e as qualidades do filme se “destacam”, começando pelos pontos positivos, é com bons olhos que vejo o começo do filme onde Andy que é uma pessoa normal, não foi treinado para sobreviver e sejamos sincero também não é muito inteligente, o cenário já estabelecido onde a única preocupação é o próximo passo para a sobrevivência, mesmo que esse próximo passo seja feito de uma forma “estabanada”, contribuem muito para um bom começo de filme, mas partir desse ponto ao apostar em clichês do gênero o filme perde a mão, principalmente quando o filme apresenta Vic (Anthony Hayes) tipico vilão do gênero e temos apenas um “novo” episódio de The Walking Dead. O design dos zumbis (embora esse termos não seja usado no filme) é incrível, o modo como a transformação é apresentada torna a ameaça muito mais aterrorizante, ao ser mordido os personagens tem 48 horas até que a transformação esteja completa, ao introduzir um contador poderíamos ter perdido o fator surpresa e a tensão de que a qualquer momento um personagem se transformaria, mas vejo o contador como uma extensão da preocupação de Andy com sua filha ou sua mulher e saber que o fim do personagem está chegando consegue segurar a tensão do filme. O que torna o filme esquecível são alguns erros e conceitos não explicados durante o caminho de Andy, pouco é dito sobre a tribo que aparece limpando o terreno das criaturas infectadas, e tão pouco servem para a história, de nada serve o design das criaturas serem boas se pouco é explicado sobre os mesmos, sim sabemos sobre o vírus e todo o processo de transformação, mas por que eles enterram a própria cabeça na terra e porque eles precisam “descansar”, outro ponto que deixa a desejar é o senso de direção do filme por muitos momentos nos vemos perdidos no filme e as imagens aéreas que dão uma sensação de imensidão só evidencia isso.

Andy (Martin Freeman) tenta assegurar a sobrevivência de sua filha

Por fim Cargo tem uma proposta muito boa e uma expansão disso seria muito interessante mas o filme tropeça em erros que atrapalham a experiência mesmo com um início promissor, até mesmo o fim que poderia ser o ponto alto e emocional desse caminho pelo qual o personagem de Andy atravessa não chega com a força necessária para sensibilizar quem está assistindo o filme, o filme vale pelo que tenta apresentar, e pelo design das criaturas que é bem interessante, mas não sabe dar continuidade então o curta metragem se mostra muito mais marcante.             

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