Crítica | Aladdin
Disney renova o clássico mesmo com alguns erros
Nessa onda em que a Disney embarcou, quando decidiu refazer suas clássicas animações em live-action, a intenção era passar todas aquelas histórias fantasiosas para o público de uma forma mais real, além de apresentar para uma nova safra de espectadores de uma forma mais atual. Aladdin não foge a essa regra e, assim como em “A Bela e a Fera” (2017) e “Mogli: O menino lobo” (2016), é encantador revisitar a história da lâmpada mágica.
Na nova versão de Aladdin a estrutura do roteiro não muda, mas conta com novos elementos, alguns interessantes, outros sem muito impacto. O filme é carregado em cores, o que é um ponto positivo para a fotografia, principalmente nos planos abertos de Agrabah, mesmo que nos bastidores tudo não passe de uma grande tela verde. A computação gráfica torna-se visível em vários momentos, o que quebra a imersão durante algumas sequências. O filme conta com uma boa trilha sonora, que não poderiam ficar de fora dos clássicos da Disney, a animação conta com algumas músicas empolgantes, porém esses momentos poderiam ser um pouco mais trabalhados nessa nova versão. Fora as músicas Friend Like Me e a nova Speechless, outras são pouco trabalhadas e até mesmo “A Whole New World” não impressiona como em 1993.
A maior preocupação no longa era o gênio, mesmo depois de Will Smith ser anunciado para a nova versão. Como superar a versão feita por Robin Williams? Vimos que mais uma vez ele não nos decepciona e entrega uma ótima versão do personagem, sendo um dos pontos altos do filme, assim como Jasmine (Naomi Scott) que tem muito mais protagonismo nesta versão, saindo do estereótipo de princesa indefesa. De longe, a melhor atuação do filme. Os destaques negativos ficam por conta de Aladdin (Mena Massoud) que não demonstra nenhum carisma e, em vários, momentos é carregado pelos outros personagens. O vilão Ja’Far (Marwan Kenzari) é outro que passa longe de ser o assustador da animação, ele não transmite a sensação de perigo em nenhuma cena e é facilmente esquecido no final do filme.
Aladdin está bem distante da animação de 93, mas cumpre bem o seu papel em apresentar a mesma história com novos elementos e uma nova perspectiva, a parte estética contribui muito no espetáculo visual, Um dos grandes acertos do diretor Guy Ritchie e da produção do filme foi não fazer o whitewashing e colocar a maior parte do elenco com origem no oriente médio, o que é um grande ponto positivo. Nessa fase em que a Disney quer refazer seus clássicos de uma forma mais real, o filme está longe de ser o melhor, mas ainda sim deixa aquela sensação de felicidade e encantamento quando saímos da sala do cinema.



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