Crítica | Homem-Aranha: Longe de casa


SIMPLES E DIVERTIDO, HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA ENCERRA A FASE 3 DO MCU

O Homem-aranha nunca foi um personagem com histórias grandiosas, sempre foi o herói pé no chão, amigão da vizinhança, mesmo depois de grandes batalhas, e depois de um grande evento como "Vingadores:Ultimato" seria normal a Marvel se apoiar nele para continuar seu universo compartilhado, mas em "Homem-Aranha: Longe de casa" temos um filme leve, feito exatamente para esquecermos os eventos de Ultimato, claro que não temos um desligamento completo do MCU diversos elementos estão lá para te lembrar disso mas de um modo muito sutil e incrível, aqui temos uma aventura solo do cabeça de teia com foco na diversão, uma viagem para o telespectador relaxar e esquecer os traumas do MCU.

O trio formado por Peter Parker/Homem-Aranha(Tom Holland), Ned(Jacob Batalon) e MJ(Zendaya) roubam a cena em diversas momentos se no primeiro filme tínhamos uma relação muito mais próxima entre Peter e Ned aqui ela ainda está presente, com diversos momentos hilários, Ned é o alívio cômico constante e perfeito, mas essa parceria dá lugar ao romance entre o jovem herói e MJ que agora tem muito mais tempo de tela e finalmente é melhor desenvolvida como par romântico e como personagem. Tom Holland mas uma vez está incrível e mostrar o porque ele é considerado o ator perfeito para interpretar o cabeça de teia, ele dá vida a um personagem que por si só já é um fã service e aqui em uma escala ainda maior seja nas cenas de ação, cômicas ou dramáticas, mais uma vez é como ver o personagem saindo das páginas das HQ's. Em “Longe de casa” o elenco está ainda mais entrosado e melhor, personagens com menos presença chamam a atenção e mesmo longe do habitat natural do aranha ainda passam aquele clima escolar, os professores e os alunos são um dos pontos positivos do filme e não economizam na atuação e entregam personagens cartunescos e carismáticos.


Por muito tempo a Marvel não soube construir e entregar seus vilões e isso tem mudado, se em “De volta ao lar” o Abutre foi muito bem, aqui novamente temos um grande vilão, Mysterio (Jake Gyllenhaal) é uma das melhores coisas do filme, Gyllenhaal como sempre está muito bem no seu papel e sempre atrai a atenção quando aparece na tela, as cenas de ação tem um salto de qualidade absurdo em relação ao primeiro filme, em especial a primeira cena de luta entre o Aranha e Mysterio, os efeitos de ilusão são incríveis, assim como a luta final. O ponto negativo fica por conta das surpresas do filme, em relação ao primeiro filme onde tivemos uma grande e surpreendete virada, aqui eles tentaram reproduzir a mesma surpresa mas de uma forma tão apressada e seca que o plot twist perde o efeito surpresa, mas que não estraga a construção do personagem, Mysterio além de ser um ótimo personagem tem um visual absurdo.


Longe de casa é um filme simples e com alguns subtextos, o diretor Jon Watts mais uma vez aposta mais na figura humana e ingênua de Peter Parker do que no heroísmo do Homem-Aranha, muito dessa aposta está ligado ao legado deixado por Tony Stark(Robert Downey Jr) para o herói, em muitos momentos principalmente no primeiro ato do filme podemos ver imagens do Homem de ferro contrastando com o objetivo do protagonista. O filme também debate alguns assuntos como percepção pública e até mesmo fake news, tudo em segundo plano o que pode passar um pouco despercebido. Esse provavelmente é um dos filmes mais simples e divertido do MCU um salto em vários aspectos comparado com o primeiro filme, mesmo que o roteiro aposte em algumas repetições e se arraste um pouco, isso não atrapalha, graças a sua simplicidade.

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