Crítica | Stranger Things (3T)


3 ° TEMPORADA  SE RENOVA, SURPREENDE E EMOCIONA 


Quando estreou em 2016 Stranger Things surpreendeu por apostar na nostalgia, além de apresentar um belo elenco mirim, mas depois de uma temporada que tentou pegar o público repetindo de forma exaustiva a nostalgia vista na primeira temporada e sem desenvolver uma trama mais interessante a 3° temporada  coloca o fator nostalgia de lado e resolve crescer assim como seus personagens principais, e é onde a série acerta, a nostalgia e referências ainda estão lá mas de forma que sejam parte da série, assim Stranger Things volta ao patamar das grandes séries.   

Stranger things sempre teve em Eleven (Millie Bobby Brown) uma figura feminina forte, mas sempre esteve rodeada e um pouco abafada por garotos o que tirava qualquer tentativa de representatividade mais forte, isso muda completamente na terceira temporada, além de Eleven que tem como jornada o auto descobrimento, já que pela primeira vez ela não tem amarras, aqui o elenco feminino se destaca em diversas vertentes. Nessa nova dinâmica de grupos em que a série aposta é comum ver uma ou mais garotas tomando a frente, nisso Joyce (Winona Ryder) se destaca diversas vezes por tomar a frente de uma situação de uma forma mais incisiva acompanhado de bom humor seja nas situações mais perigosas ou no relacionamento entre ela e Hopper (David Harbour). Entre o elenco feminino o único ponto negativo fica por conta de Max (Sadie Sink), depois de aparecer e surpreender na 2° temporada, aqui ela quase não aparece e não tem cenas que chamam a atenção.



A série sempre surpreendeu quando o assunto era elenco, e depois de uma 2° temporada com poucas adições ao elenco a terceira temporada vem recheada de novos personagens, mas uma vez a dinâmica de separar em grupos o elenco ajuda muito os novos personagens a terem um certo destaque, principalmente o grupo de Dustin (Gatten Matarazzo) e Steven (Joe Keery), que tem a companhia de Robin (Maya Hawke) e Érica (Priah Ferguson) que de longe é a melhor personagem nova, ela tem um estilo único e muito bem balanceado para uma criança de 10 anos, ao misturar um texto cômico e sarcástico. São tantas adições positivas para o elenco que 8 episódios parecem pouco para desenvolver tantos personagens, mesmo personagens que sabemos que não teram uma continuidade na série são muito bons.

Stranger Things sempre teve na dinâmica de grupo e nas amizades o seu ponto primordial, tudo sempre girou em torno disso até as frases marcantes da série se referem as verdadeiras amizades, mas as coisas mudam, as pessoas crescem, quando a série divide o grupo principal e mistura alguns personagens que inicialmente parecem não ter uma boa dinâmica é o grande acerto dessa temporada, seja pela parte cômica ou pela possibilidade de discutir assuntos importantes como o primeiro amor ou sexualidade, mesmo que superficialmente.


Em comparação com a 2° temporada Stranger Things melhorou muito (não que a segunda temporada seja ruim), mesmo com um começo um pouco arrastado. A série traz toda a nostalgia dos anos 80 e diversa referências, renovada mas com as características que fizeram o público se apaixonar pela série, além de reservar surpresas emocionantes. A Netflix entregou a melhor temporada da sua melhor série, mesmo que esse pareça ser o começo do fim de Stranger Things a série provou que ainda tem muito conteúdo para surpreender positivamente.

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