Crítica | Era uma vez em...Hollywood


TARANTINO DECLARA SEU AMOR POR HOLLYWOOD COM UMA OBRA-PRIMA


Não é de hoje que o nome de Quentin Tarantino envolvido em um filme é sinônimo de altas expectativas, seja pelas histórias marcantes ou por seus personagens que normalmente roubam a cena, aliados ao seu primor técnico quase que perfeito, uma marca registrada do diretor. Assim “Era uma vez em...Hollywood” chega com todos esses elementos de uma forma surpreendente e mais uma vez incrível, de um modo que só o próprio Tarantino poderia fazer.


Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator em decadência e que ainda busca fama em Hollywood, junto com seu amigo e dublê Cliff Booth (Brad Pitt) que se contenta em ser apenas o dublê de Rick, sem maiores aspirações, os dois roubam a cena durante o filme com uma dinâmica incrível, DiCaprio está em uma de suas melhores atuações, ao viver essa dualidade entre ser um dos maiores atores da atualidade e ter que interpreta alguém em decadência, o conflito interno do personagem é maravilhoso e criam cenas marcantes e hilárias, seja contracenando com outros atores ou em seus monólogos. Pitt também não fica para trás com muito carisma, principalmente no terceiro ato onde ele dá um show de atuação. Também somos apresentados a Sharon Tate (Margot Robbie) que é o contraste dos personagens de Pitt e DiCaprio, Sharon é a personificação da nova Hollywood, glamour e inocência, a semelhança entre Margot Robbie e Sharon Tate é gritante, além da história servir de certa forma como uma homenagem para a verdadeira Sharon Tate.


Provavelmente esse seja o filme mais diferente do Tarantino, temos algumas inconsistências, Tarantino quase se perde mas se recupera, no entanto isso não tira o brilhantismo do longa, o filme tem diversas referência a grandes filmes da indústria e aos filmes do próprio Tarantino, uma das melhores coisas é como Tarantino se sente à vontade em mostrar a essência dos set de filmagem, com longas cenas que mostram um filme sendo gravado, e demonstra como é um filme de dentro para fora. De todos os filmes produzidos por Tarantino esse é disparado o mais engraçado, em diversos momentos ele flerta (e muito) com a comédia, seja com cenas ou com diálogos, mas sem assumir o gênero como um todo, é um humor sarcástico que combina com a premissa do filme, do diretor e principalmente dos personagens. As participações especiais são uma atração à parte destaques para Julia Butters que interpreta a atriz mirim Trudi Frases, que contrasta muito bem com o personagem do DiCaprio, junto os dois tem uma das melhores cenas do filme, Mike Moh que faz uma versão caricata de Bruce Lee e Al Pacino que mesmo com pouco tempo de tela dá um show com muita presença de tela.


Tarantino consegue colocar toda a sua paixão por Hollywood nas 2h 45min em que o filme se passa, não é a toa que o filme é uma grande carta de amor do diretor para Hollywood e aos tempos de ouro do cinema. Ele  criar tensão, e até mesmo comoção, e sabe usar essas características como poucos para quebra de expectativa e surpreender, se considerarmos o período escolhido que precede uma das maiores tragédias de hollywood, o modo como a dúvida sobre o desfecho do filme é deixada para o público e como ele irá abordar os acontecimentos envolvendo os personagens é inquietante e prende a atenção e no final temos a recompensa, com uma das cenas mais satisfatórias e brutais dos últimos anos, ao melhor estilo Quentin Tarantino. Assim Quentin Tarantino subverte a indústria ao seu estilo para criar a história fictícia mais real do cinema.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica | Entre Facas e Segredos

PANTERA NEGRA

RESUMO E3 2018