Crítica | Ad Astra - Rumo às estrelas
Com show de atuação de Brad Pitt e parte técnica impecável Ad Astra surpreende
Filmes com a temática de viagem ao espaço em algum momento preferem prezar pelo fator sci-fi, mesmo quando se trata de um drama, é fácil perceber que a parte científica está mais presente na trama do que qualquer outro elemento. Ad Astra segue o caminho contrário a esse, temos a parte dramática muito mais presente, boa parte do longa se apoia no drama do personagem principal e em sua busca.
Caso você procure por um parâmetro Ad Astra é diferente de qualquer outro filme com essa temática, conta com muito elementos de “Interestelar”, “2001 - Uma odisseia no espaço”, “Gravidade” e o recente “Primeiro Homem”. Acompanhando o engenheiro espacial Roy Mcbride (Brad Pitt) a trama segue o personagem de Pitt, seu passado e presente se misturam, o roteiro cria a imagem de um soldado espacial perfeito que parece não cometer falhas e sempre colocando seu objetivo em primeiro lugar, o filme cria empatia instantânea entre público e personagem, ao apresentar o passado do personagem sugere um pseudo conflito com a sua figura paterna. O filme trata de uma forma muito íntima a questão familiar, principalmente relação entre pai e filho ou a ausência da figura paterna, a todo momento o filme procura expor essa questão.
O espaço sempre proporcionou imagens fantásticas e aqui não é diferente, o diretor James Gray soube como criar uma atmosfera perfeita seja na terra ou em outro planeta, a forma como ele usa os planos para demonstrar a imensidão do ambiente é feita de uma forma incrível, lugares fechados são feitos para criar um clima mais pessoal, a forma como ele usa a composição de cores também é incrível, a parte técnica é impecável, a cena de perseguição na lua é uma das coisas mais impressionantes do cinema. A trilha sonora também é um dos pontos altos do filme em diversas cenas ela completa esses momentos mais marcantes.
Embora a parte técnica seja ótima falta conteúdo para Ad Astra, o filme se apóia quase que todo em Brad Pitt e na questão entre o personagem principal e seu pai Clifford McBride (Tommy Lee Jones) e não cria outros conflitos, não há desenvolvimento para a personagens da Liv Tyler, o filme contam com outros grandes nomes no elenco como Ruth Negga e Donald Sutherland que estão muito bem mas com pouco tempo de tela. No fim o filme se torna algo particular para Brad Pitt que está em uma das melhores atuações do ano.
Ad Astra não é um filme simples, embora conte com alguns momentos de ação ele preza mais pela parte filosófica, burocrática, com um ritmo mais lento em vários momentos. James Gray novamente faz um trabalho técnico maravilhoso mas falta um pouco mais de conteúdo para manter o espectador ligado.


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