Crítica | Coringa


Joaquin Phoenix comanda um dos melhores filmes do ano 

Complexidade é o que melhor define esse filme e essa nova versão do personagem Coringa, mais do que uma história de “origem” esse é um estudo sobre a sociedade e  o comportamento diante de diversas características sociais das quais o filme dialoga. Mais do que mostrar o antagonismo de um vilão ele coloca um holofote no drama social.

Em meio a uma vida cheia de problemas o filme acompanha o problemático Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) mergulhando em loucura conduzido pela sociedade até sua transformação em Coringa. 
Em meio a tantas coisas incríveis no filme um dos seus maiores destaques é sem dúvida a parte técnica, é difícil ver um filme em que os elementos conversam com o seu personagem principal e com o público, aqui temos esse dueto entre personagem, cores e cenário. O filme tem um ar pesado, brutal e sujo seja pela crise que a cidade de Gotham passa ou pela forma como somos apresentado a história, a ambientação nos anos 80 é como se o filme tivesse realmente sido rodado nessa época, o diretor Todd Phillips sabe como conduzir o filme, o modo como ele trabalhar as diversas camadas do personagem como violência, drama e comédia, as subjetividades que ele deixa no ar, tudo de forma natural. A trilha sonora não fica para trás e harmoniza de forma perfeita com as cenas.


Joaquin Phoenix sempre se destacou em suas atuações e aqui ele faz exatamente isso e talvez até mais, seja pela parte física que está em um nível absurdo ou os trejeitos do personagem, ele pega um pouco de todos os outros Coringas já apresentados na cultura pop, mistura com a sua e dá uma cara totalmente nova para esse Coringa, a risada pode ser o ponto mais marcante e agoniante desse personagem mas a transformação é o ponto alto da atuação de Phoenix.
O filme pode ser considerado um grande monólogo de Phoenix já que outros personagens não tem um grande destaque, Robert De Niro, Zazie Beetz e Frances Conroy estão bem mais em personagens rasos e sem muito aprofundamento. 
O ponto fraco fica por conta da inserção de elementos do universo Batman de forma massiva, esse Coringa poderia ser algo isolado, mas ao colocar esse elemento específico você coloca uma obrigação desnecessária para uma futura aparição em outros filmes.  

O filme tem uma particularidade ele tem um clima muito mais pesado, violento em menor escala pois ele preza muito mais pela sua temática cruel que fala sobre diversos temas polêmicos da atual sociedade, tem uma certa veia política a ser explorada. Ele trabalha problemas mentais e como a sociedade enxergar as pessoas com esses distúrbios o diário de Arthur mostra muito dessa parte.

Um filme difícil de ser digerido mas que entrega pequenos momentos satisfatórios em termos cinematográficos, um dos melhores filmes do ano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica | Entre Facas e Segredos

PANTERA NEGRA

RESUMO E3 2018