Crítica | Ford vs Ferrari
Na corrida pelo Oscar James Mangold simplifica o meio automobilístico e aposta na emoção
Alguns filmes tem como sua maior característica a simplicidade, algo que poderia ser complexo e cansativo são apresentados de forma tão orgânica durante o filme que não é preciso ser um especialista para entender sobre o que se trata. Ford v Ferrari é esse tipo de filme, ao tratar de duas montadoras de veículos podemos ver alguns termos que são do meio automobilístico, mas o filme e seus personagens colocam isso da forma mais simples e compreensivo para o público, e a parte mais técnica que poderia ser um problema fica em segundo plano.
Velocidade, o filme está sempre atrelado a um carro, o diretor James Mangold faz questão de te manter sentado e apreciando a velocidade, mas assim como é dito no filme existe um momento onde as coisas ficam calmas e você pode apreciar o que realmente importa na história principalmente seus personagem, as atuações são o ponto alto do longa e graças aos atores é fácil criar um vinculo com seus respectivos personagens, Carroll Shelby (Matt Damon) ou Ken Miles (Christian Bale), você entende o porque Shelby é tão confiante, suas escolhas e seus dramas, o mesmo vale para Miles, suas loucuras dentro e fora dos carros e seu comportamento difícil.
Os outros personagens também são interessantes e alguns deles importantíssimos para o desdobramento da trama, como Mollie Miles (Caitriona Balfe) e Peter Miles (Noah Jupe) que serve de calmante para o personagem de Bale além de serem os responsáveis por facilitar algumas explicações mais técnicas e cenas mais tocantes durante o filme. Outros personagens que chamam muito a atenção são Henry Ford II (Tracy Letts), Leo Beebe (Josh Lucas) e Lee Iacocca (Jon Bernthal) que são a parte corporativa e burocrática da trama, Ford e Lee Iacocca proporcionam as cenas mais engraçadas, já o personagem de Josh Lucas interpreta o “vilão” da trama de tal forma que você realmente sente raiva dele.
Mangold sabe trabalhar os personagens, principalmente a relação entre eles, com os excelentes atores essas relações são intensas e emocionantes, sempre regado a um ótimo senso de humor com piadas no momento certo, tudo isso junto de uma das melhores fotografias do ano, Phedon Papamichael apresenta cenas incríveis principalmente nos planos abertos. Talvez o ponto fraco fica por conta do final do filme que poderia ter terminado no ponto alto mas em pró do fator histórico optou pelo final emocional. Ford vs Ferrari tem grande potencial para brigar por algumas estatuetas no Oscar e mesmo que não leve nenhum sua sutileza faz dele um dos melhores filmes do ano.

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