Opinião | Onde está o Pantera Negra dos games?
Hoje em dia finalmente os games são reconhecidos como uma forma de cultura, assim como todas as outras formas de cultura, os games além de entreterem eles têm um papel importante política e socialmente e nos últimos anos o número de games que tem abordado esses tipos de temas vem crescendo.
Atualmente vemos o mundo unido por uma causa, a luta contra o racismo, seja por justiça a George Floyd ou para que esse tipo de crime seja erradicado da internet, depois desse e diversos outros episódios um questionamento surgiu. Por que não temos uma game com o mesmo impacto cultural e representativo que o filme Pantera Negra trouxe para a cultura pop e 2018? Sim, existem diversos personagens negros na indústria de games mas muitos deles são personagens secundários, Mafia 3 até tentou explorar isso mas sem muito impacto representativo já que o game mostra muito mais o lado preconceituoso dos Estados Unidos na década de 60 e não conta com muita representatividade. Em sua maioria os games em que seus personagens principais são negros não tem muito compromisso com a cultura negra e seguem um estereótipo, normalmente são pessoas envolvidas com crime ou com um passado obscuro em busca de redenção, nunca estão em uma posição “privilegiada” ou são totalmente puros.
Em 2008, Morgan Grey (atualmente Diretor criativo da 2K Marin) em entrevista para a MTV já alertava para como os personagens negros são estereotipados na indústria dos games: “Estou cansado de interpretar o personagem médio de cara branca. E estou cansado de interpretar um estereótipo preto. ... Como jogador, quero ter mais experiências além do futurista super soldado branco, do que do improvável herói branco. Existe aquela frase em que você está interpretando você e interpretando o personagem. É como se você estivesse por trás do personagem pressionando. Você está de mãos dadas com o personagem em sua mente? E para mim, eu gostaria de obter mais de se relacionar com esse personagem”.
Ele também cita o personagens de uma grande franquia como exemplo, “Aqui está a coisa: Cole Train por conta própria, não faz nenhum mal. Mas o que é Cole Train? Cole Train é basicamente como todos os outros personagens negros de um videogame. Como aqui vem o estereótipo urbano. Gíria negra, onde isso se encaixa nesse mundo futurista que nem sequer acontece na Terra? Eles vão muito longe para fazer muitas justificativas ficcionais para essa cultura que eles construíram e vão de volta a este estereótipo urbano para o personagem negro.”
Seria muito bom ter mais pessoas como Morgan Grey trabalhando em grandes projetos, games que colocassem os negros e a própria cultura negra em destaque na indústria dos games seja na criação de personagens e histórias para o público negro que consome games e (assim como eu) sente falta de elementos mais representativos e sem as amarras que a indústria insiste em colocar sobre esses personagens.

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